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  • Lis Spinato

Por que os alimentos orgânicos são mais caros?

Ingerir alimentos saudáveis e livres de pesticidas e fertilizantes é um investimento na saúde, pois ao consumir os produtos orgânicos você está contribuindo para a saúde pessoal e para a melhoria do planeta.


Os princípios agroecológicos da produção de alimentos orgânicos contemplam o uso saudável e responsável do solo, do ar, da água e dos demais recursos naturais, evitando a contaminação e desperdícios desses elementos e contribuindo para o desenvolvimento sustentável.

Produto bom e de boa qualidade costuma ser mais caro. A população deveria ser amplamente informada de que o produtor orgânico cuida do solo, da água, da saúde dos consumidores e dos trabalhadores, da biodiversidade, do ambiente em geral, do planeta, enfim, e isso gera custos que o produto convencional não tem.


Mais tarde, a sociedade receberá de volta a diferença, na forma de despoluição, tratamento de doenças, desassoreamento de rios e lagos, recuperação de solos erodidos, recomposição da fauna e da flora. Se acrescentarmos as contas sociais e ambientais, o produto orgânico talvez tenha o mesmo preço do convencional.


Vegetais orgânicos, muitas vezes, também têm produtividade menor que a dos convencionais. Entretanto, sucessivas análises da Anvisa mostram contaminações acima do permitido ou com produtos proibidos, em alface, banana, pimentão e cenoura convencionais, e nem precisamos falar do morango.


Animais que não tomam antibióticos crescem mais devagar – ou melhor, no tempo deles. Vegetais cultivados sem adubo químico, nem agrotóxicos, nem sementes geneticamente modificadas para se tornarem resistentes a pragas também demoram mais para ficar no ponto.

Se um fazendeiro só cultiva milho, trigo e soja, tem ao fim das colheitas uma enorme quantidade desses produtos e pode vender para grandes compradores por bom preços. Quem planta orgânicos tem bem menos a oferecer e não consegue baixar tanto os valores sem tomar um prejuízo enorme.

Fazendeiros orgânicos arcam com o custo da certificação e da produção socialmente responsável, que deveria ser modelo para a tradicional, com trabalhadores com carteira assinada e legalização da propriedade segundo normas de preservação ambiental. Fora que a ração usada para alimentar os frangos ou complementar a comida de bois, vacas ou porcos deve ser orgânica – e isso pode custar o dobro.


Não tem muita gente comprando orgânicos. Só 1,8% das indústrias no Brasil manuseiam, embalam, processam ou fabricam produtos usando esse tipo de alimento. Na Holanda, são 36%.


Menor produtividade aumenta o custo unitário do produto. Mas não queremos produtividade a qualquer custo. Queremos saúde para as pessoas, plantas, animais e para o planeta.


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